15/11/2010 a 21/11/2010

Hipoterapia multidisciplinar integra ensino, pesquisa e extensão

Uma visita ao projeto de Hipoterapia é suficiente para emocionar e perceber a gratidão das mães das crianças atendidas por alunos e professores da Universidade. Uma iniciativa do Curso de Fisioterapia, em parceria com a Psicologia e a Medicina Veterinária, o projeto multidisciplinar integra os três eixos formadores: ensino, pesquisa e extensão, por meio de um método terapêutico e educacional, que utiliza o cavalo para o desenvolvimento motor, psíquico, cognitivo e social dos pacientes.

"Primeiro criamos um projeto de extensão, que pudesse atender às comunidades e integrar o estágio supervisionado, quando os alunos atuam sob a supervisão de professores. Agora, geramos uma base de dados para pesquisas e já iniciamos orientações de monografias de alunos dentro do projeto, que pode ser explorado por diversas áreas de formação. É a integração perfeita", comemora a professora Patrícia Lemos, uma das coordenadoras do projeto.

Adequação

O trabalho, realizado pela PUC Minas em Betim, é direcionado a crianças com necessidades especiais de Betim e, em alguns casos, atende também pacientes de cidades vizinhas. O entusiasmo com os resultados do projeto vai dos pacientes e familiares aos profissionais e alunos que realizam os atendimentos.

"Nem consigo dizer quantas coisas boas aconteceram para a Sofia depois que ela começou o tratamento na PUC. Ela está aqui há três anos e com a hipoterapia ficou até mais calma e consegue ter mais controle dos movimentos da mão e da perna" conta Terezinha Nunes Fávero, avó da menina. Sofia nasceu prematura e, logo após o nascimento, sofreu uma lesão cerebral que a deixou com uma paralisia leve, que comprometeu o lado esquerdo do corpo. De acordo com a professora, a hipoterapia, além de elevar a autoestima, também motiva as crianças a investirem no tratamento, já que elas se afeiçoam rapidamente aos animais. Além disso, no caso de Sofia, os exercícios com os cavalos reforçam o trabalho das suas deficiências, como o equilíbrio e a simetria.

Diferencial

Todos os pacientes atendidos pela Universidade, na Companhia do Cavalo de Betim, intercalam o tratamento com sessões convencionais na Clínica de Fisioterapia. O serviço é oferecido gratuitamente e, além de um benefício para a comunidade, também enriquece os currículos dos alunos que, agora, contam com esse diferencial em sua formação.

"São raras as escolas que oferecem em seus projetos pedagógicos uma oportunidade aos estudantes de aprenderem essa outra abordagem da fisioterapia. E aqui, satisfatoriamente, podemos oferecer aos nossos alunos esse aprofundamento teórico e prático", completa a professora Patrícia.

"Essa experiência é altamente enriquecedora e foi a responsável pela minha escolha profissional. Tenho certeza de que quero fazer uma especialização em neuropediatria e trabalhar com a hipoterapia depois de formada. Se a Universidade não pudesse oferecer-me essa oportunidade eu ainda estaria com dúvidas quanto à escolha da minha área de atuação. É muito bom poder trabalhar em um ambiente de bem estar onde o paciente e o animal me dão prazer e os resultados são significativos", conta Ana Paula Souza Reis, aluna do 9º período de Fisioterapia.

Resultados

A terapia é respeitada em países da Europa e América do Norte, que aplicam o método em seus pacientes desde a década de 50. De acordo com especialistas, o andar de cavalo exige cerca de 2.500 respostas motoras dos pacientes - tentativas de equilíbrio. E, por isso, o método se torna mais eficaz e mais ágil que o convencional, o que, muitas vezes, desmotiva o doente, por oferecer respostas limitadas.

Alexsandra Rodrigues sai de Ribeirão das Neves todas as semanas para trazer seu filho Álvaro, de 3 anos e meio, para as sessões de hipoterapia. "Eu sempre fui uma mãe que pesquisa e procura tratamentos de todas as formas para o meu filho (o meinino nasceu com paralisia cerebral). Soube que a PUC havia começado esse trabalho e vim logo saber como conseguir uma vaga. Não posso pagar pelo tratamento e conto com a ajuda da prefeitura e com a boa vontade dos amigos para trazer meu filho para se tratar. Aqui, ele tem resultados mais rápidos, apesar de saber que as limitações dele são grandes, cada progresso dele me faz muito feliz. Em duas semanas já vi que ele ficou mais esperto, consegue rolar e ter mais sustentação do corpo. Antes ele nem sorria, agora me surpreendo com as suas reações. Quando vejo um sorriso largo, verdadeiro no rosto dele, ganho o meu dia. Isso não tem preço", conta emocionada.

11/11/2010


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