13/12/2008 a 19/12/2008

Núncio apostólico diz que educação é prevenção para violência

"As instituições de ensino, principalmente as católicas, devem formar as pessoas no sentido cívico, para os valores da vida e da dignidade humana. A escola é a prevenção contra a violência". Essas foram as palavras do núncio apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri, ao comentar o tema da Campanha da Fraternidade de 2009 – Fraternidade e Segurança Pública –, durante entrevista coletiva à imprensa, no dia 11 de dezembro, no campus Coração Eucarístico. "A educação é uma forma de evitar que as pessoas fiquem nas ruas, envolvidas com drogas", disse. De acordo com ele, a desigualdade social no país é uma das origens do problema.

O representante do Papa no Brasil esteve em Belo Horizonte para uma visita oficial à Arquidiocese e à Universidade, por ocasião dos 50 anos da PUC Minas e dos 111 da capital mineira. Dom Lorenzo afirmou que o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil, reconhecido pelo governo brasileiro em 13 de novembro por meio de acordo com o Vaticano, é coerente com a missão da instituição, podendo ser uma referência também para outras religiões. "Isso é um fato muito importante, dado que mais de cem países do mundo têm acordos com a Santa Sé", afirmou. Composto por 20 artigos, o documento foi assinado depois de 118 anos do Decreto 119-A, expedido pelo marechal Deodoro da Fonseca, em 1890, quando a personalidade jurídica da Igreja foi reconhecida pela primeira vez. Entre as implicações práticas deste acordo, está o reconhecimento jurídico de instituições ligadas à Igreja, como as paróquias, dioceses e arquidioceses.

Apesar do reconhecimento, o núncio apostólico reafirmou a laicidade do Estado brasileiro: "O governo não tem uma religião, tem que ser neutro". Essa distinção entre Estado e religião também está contemplada no acordo, estabelecido dentro dos parâmetros da Constituição Federal de 1988.

Também estiveram presentes na coletiva o grão-chanceler da PUC Minas e arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo; o arcebispo de Mariana e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha; e o reitor da PUC Minas e bispo-auxiliar da Arquidiocese, Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, entre outros.

Em visita oficial à Arquidiocese de Belo Horizonte, o representante do Papa participou de conferência sobre o tema A Missão da Educação Católica na Sociedade Contemporânea, no Teatro da Universidade, e presidiu celebração eucarística em homenagem aos 50 anos da PUC Minas e aos 111 de Belo Horizonte, no dia 12 de dezembro, na Catedral da Boa Viagem.

Ensino religioso

Um dos artigos que integram o acordo diz respeito à educação religiosa na rede pública de ensino fundamental. "Colocamos no acordo que o ensino religioso seja católico ou de outras confissões, para que cada um tenha o direito de escolher o ensino religioso de acordo com as suas tradições e as suas crenças", explicou Dom Baldisseri. Para ele, esse é um benefício não só para os católicos, mas para todas as pessoas. "Fizemos abertamente, porque não queremos mostrar nenhuma discriminação, somos todos iguais nos direitos, mas diferentes ao mesmo tempo", disse. De acordo com a Constituição, embora a oferta da disciplina seja obrigatória, a matrícula por parte dos alunos é facultativa.

Conciliação entre ciência e religião

Na conferência sobre a educação nos colégios e nas instituições superiores católicos, durante sessão solene conjunta do Conselho Universitário (Consuni) e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da PUC Minas, realizada na quinta-feira, 11 de dezembro, no Teatro do campus Coração Eucarístico, o núncio apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri, destacou que "a busca do saber não pode ter como único objetivo a formação técnica". Citando os papas João Paulo II e Bento XVI, chamou a atenção para a importância da conciliação entre ciência e religião, entre fé e razão. Segundo ele, a ciência e a razão podem dar respostas adequadas às argumentações do ser humano. "A fé não é escuridão, é luz, pode iluminar além do conhecimento natural; não contradiz, aperfeiçoa, dirige para o conhecimento pleno de sua finalidade", disse.

O núncio dirigiu mensagens específicas aos professores, aos estudantes e aos dirigentes e funcionários da Universidade. O representante do Papa exortou os docentes a "melhorarem sempre a própria competência para enquadrar o conteúdo, os objetivos, os métodos e os resultados da investigação de cada disciplina no contexto de uma coerente visão do mundo".

O núncio aconselhou os estudantes a terem uma educação que harmonize a excelência do desenvolvimento humanístico e cultural com a formação profissional especializada nas diversas disciplinas. "Este é o tempo favorável, talvez o único na vida, para aprender, crescer e se tornar homens e mulheres que enriquecem a sociedade, não que a empobrecem".

Aos dirigentes, incluindo funcionários, fez deferência especial. "Merecem reconhecimento particular em relação aos esforços, pelo excelente trabalho de criação e do enorme crescimento da PUC Minas, que celebra o jubileu de ouro", disse. "Cinqüenta anos de grandes resultados, de belas realizações e de presença na grande história e na cultura de Minas Gerais e do Brasil".

Presença da Igreja

Dom Lorenzo Baldisseri afirmou que a Igreja Católica vê a presença das universidades e colégios católicos como sinal de grande esperança e confirmação do papel da Igreja no mundo. "O papel das universidades católicas representa um espaço privilegiado na missão da Igreja, que no campo cultural encontram os instrumentos adequados para proporcionar a fé cristã segundo as exigências do homem de hoje", disse.

O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte e grão-chanceler da PUC Minas, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, lembrou que a presença de Dom Lorenzo Baldisseri na Universidade se deve à importância da Nunciatura Apostólica (localizada em Brasília), "confirmando as responsabilidades da PUC Minas, que são a educação católica, o serviço da Igreja à sociedade, congregando diversas áreas do saber". O arcebispo disse, ainda, que a presença do núncio reafirma o compromisso da fidelidade ao Papa, com a verdade, com o bem, fazendo de nossa PUC uma instituição de anunciação do Evangelho".

O reitor e bispo auxiliar da Arquidiocese, Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, ressaltou que vive uma "dupla e peculiar alegria": a primeira, "de ser educador na PUC Minas, trabalhando na formação integral de jovens"; e a segunda, por representar toda a comunidade universitária nas comemorações dos 50 anos. "Cada um carrega em si uma família envolvida por essa Instituição", disse. "A PUC não existiria sem essas pessoas", completou ele, referindo-se também àqueles que pela Instituição passaram.

O reitor entregou ao núncio apostólico a escultura que apresenta o portal da entrada principal da Universidade e o livro 50 Anos.

A solenidade teve a presença também da vice-reitora, professora Patrícia Bernardes; do bispo-auxiliar da Arquidiocese, Dom Aloísio Jorge Pena Vitral; do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha, e arcebispo metropolitano de Mariana; do bispo emérito de Oliveira, Dom Francisco Barroso Filho; do arcebispo emérito de Diamantina, Dom Paulo Lopes de Faria; de vigários episcopais e forâneos e membros da Arquidiocese de Belo Horizonte; de representante do presidente da Fundação João Pinheiro; e dirigentes da Sociedade Mineira de Cultura e dos colégios Santa Maria.

12/12/2008


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