06/12/2008 a 12/12/2008

Violência é debatida em Encontro


Iniciativa discute questões da Grande BH

Prefeitos, vice-prefeitos e vereadores eleitos da Região Metropolitana, e assessores políticos, participaram na quinta-feira, 4 de dezembro, no campus Coração Eucarístico, do 1º Encontro promovido pela Arquidiocese de Belo Horizonte e a PUC Minas, com a presença do arcebispo metropolitano e grão-chanceler da Universidade, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, do bispo auxiliar e reitor, professor Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, e do vigário episcopal para Ação Social e Política, padre Ademir Ragazzi. O objetivo é criar um fórum permanente de discussão com os políticos eleitos nos 28 municípios que compõem a Arquidiocese.

Dom Walmor disse que espera do encontro "um longo caminho de intercâmbio, fazendo crescer parcerias que já existem (entre a Arquidiocese e os municípios), de modo que os grandes frutos sejam melhores serviços social e político ao povo que tem necessidades muito grandes e que confia nesses que elegeram".

O reitor, professor Dom Joaquim Mol, afirmou que o encontro marcará o início de um diálogo que poderá ser muito frutífero para a Arquidiocese, "porque ela se coloca na atitude de escuta, de fala, de troca de experiências com pessoas muito importantes", além de importante também para a sociedade, "na medida em que pessoas com funções da mais alta responsabilidade se dispõem a conversar sobre os destinos de nossas comunidades".

Na palestra sobre Juventude e Violência, o sociólogo e coordenador do curso de Ciências Sociais da PUC Minas, professor Luis Flávio Sapori, afirmou que a violência é uma "grande mazela na realidade brasileira contemporânea, que precisa de uma ação clara e imediata e contundente por parte das autoridades políticas". Segundo ele, há uma grande necessidade de políticas públicas focalizadas no que tange à faixa etária de 15 a 29 anos e, em especial, de 15 a 24 anos. "No Brasil, praticamente 19% dos jovens de 15 a 24 anos estão desempregados, é a faixa etária em que o fenômeno é mais grave, comparativamente com a população acima de 30 anos", disse. Ele ressaltou que na faixa etária de 15 a 24 anos são quase 22 mil assassinatos ao ano: "Isso não é pouco, tenho classificado isso como um genocídio". O jovem brasileiro está se matando, é negro, pobre, residente na periferia e está basicamente envolvido no fenômeno da violência e da criminalidade", lembrou o professor.

Luís Flávio Sapori descreveu o panorama do tráfico de drogas, em que cada vez mais jovens de 15 a 24 anos estão envolvidos, numa "chacina sem fim". Ele ressaltou que o grande vilão do processo de crescimento da violência na Região Metropolitana deve-se à prevalência e à disseminação do tráfico de crack, "que tem poder destrutivo muito maior que as outras".

O que fazer então? O professor considera que há um "grande espaço de ação de atuação das cidades nessa área. "Os municípios podem ser muito úteis nas políticas de prevenção social. A adoção de políticas públicas que possam minimizar o impacto e a inserção desses jovens no tráfico de drogas e da violência gerada pode, sim, ser minimizada e atenuada em parceria com a sociedade civil", disse. Segundo o professor, essas ações podem englobar, de alguma maneira, projetos que envolvem atividades com alto conteúdo normativo, educativo, de formação moral, através do esporte, da música, através das artes, "o que não implica desconsiderar a capacitação profissional e a criação de mecanismos para trabalho para esses jovens. Tudo tem que ser feito simultaneamente", disse. "O desafio é oferecer a essa juventude em situação de risco o que o tráfico oferece, fomentar ‘gangues do bem’; não apenas o aspecto econômico, mas de apoio, auto-estima, solidariedade".

Receptividade

O vice-prefeito eleito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho, considerou o Encontro uma iniciativa fundamental. "Nós temos que integrar a Região Metropolitana para que não se discutam apenas os problemas e não sofrermos com eles. É hora de nos juntarmos para que possamos  discutir as soluções, a integração das políticas sociais e promover uma grande rede social em defesa da vida e realmente enfrentar os graves problemas sociais. É uma feliz iniciativa que terá todo o apoio da prefeitura de Belo Horizonte".

De acordo com a prefeita reeleita de Contagem, Marília Campos, é importante "articular as autoridades políticas nos municípios para discutir o comprometimento com as políticas públicas. A gente vive uma solidão muito grande nos municípios, então é mais um fórum de debate", disse.

O prefeito eleito da cidade de Rio Manso, Adair Dornas dos Santos, disse que o Encontro é "muito salutar, porque vai estreitar o relacionamento das administrações municipais com a Igreja, fazer desse fórum uma ação permanente para a gente discutir uma série de ações sociais que podem ser desenvolvidas entre a Igreja e o município".

O vereador eleito Luis Fernando dos Santos Gomes, também de Rio Manso, considerou interessante que sejam marcados outros encontros para a troca de idéias. "A intenção nossa é ajudar, em benefício de nossa cidade e região", disse.

05/12/2008


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