13/05/2013 a 19/05/2013

Novo laboratório reúne banco de dados de sons de animais

Um espaço que reúne um banco de dados, em desenvolvimento, com as vocalizações e estridulações emitidas por mais de 500 espécies de animais, dentre eles, anfíbios, aves, mamíferos, insetos e outros sons da natureza – o que totalizará dezenas de milhares de sons. Trata-se do recém-criado Laboratório de Biocústica, do Museu de Ciências Naturais, que servirá de consulta para pesquisadores e instituições de todo o mundo e para o subsídio de exposições e ações do Setor de Educação do próprio museu da Universidade. Localizado no 2º andar do museu, no campus Coração Eucarístico, o laboratório é o mais bem equipado da área no Brasil, com aparelhos utilizados no trabalho em campo, como sensores de monitoramento acústico passivo (song meters), medidores de nível sonoro, gravadores de estado sólido, hidrofones, sensores de ultrassom, medidor de vibração, softwares de análise de dados, entre outros equipamentos com grande capacidade de armazenamento de 40 terabytes de dados, ou 40 mil gigabytes.

A comunicação acústica é um comportamento extremamente importante para a sobrevivência dos animais, já que eles, por exemplo, se comunicam para se locomover no ambiente, na relação entre pais e filhotes, na defesa contra predadores e na realização de comportamentos sociais, diz a doutoranda Marina Henriques Lage Duarte, responsável pelo espaço. "Se um filhote chama a mãe para receber alimento, mas o ambiente está ruidoso, a mãe pode não ouvir o chamado, e o desenvolvimento do filhote pode ser comprometido, podendo chegar à morte", explica. Uma das conclusões a partir das vocalizações já coletadas e processadas é que os sons de espécies de aves, que vivem em uma das regiões pesquisadas – Estação Ambiental de Peti, na cidade de São Gonçalo do Rio Abaixo, na região central de Minas Gerais –, são mascarados pelo barulho feito nas atividades das minas e, em relação aos grilos, seus comportamentos de comunicação acústica estão alterados pelos sons dos caminhões que trafegam nas estradas próximas.

A captação dos sons emitidos pelos animais está sendo realizada em três biomas desde setembro de 2012 e continuará até, pelo menos, setembro de 2013: campo rupestre, no Parque Estadual do Rola-Moça, na Região Metropolitana de Belo Horizonte; cerrado, no Parque Nacional da Serra do Cipó, Região Central de Minas Gerais; e Mata Atlântica, na Estação Ambiental de Peti.

O laboratório recebe também vocalizações de animais coletadas por pesquisadores em outros biomas, com o fim de organizá-las e serem acrescentadas ao banco de dados. O banco auxiliará os estudiosos na identificação das espécies e no entendimento do comportamento e sua distribuição geográfica, podendo revelar que determinada espécie ocorre em local específico, acrescenta Marina. Para cada hora de gravação dos sons, são necessários três dias para a identificação e processamento.

Fauna silvestre

O Laboratório de Bioacústica é coordenado pelo professor licenciado da PUC Minas Robert Young, cujo projeto tem financiamento de R$ 1,7 milhão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e da mineradora Vale. O laboratório teve início a partir de projeto de tese de doutorado de Marina, intitulado Análise dos Impactos do Ruído de Atividade Mineradora na Comunicação Acústica da Fauna Silvestre, que ela defenderá no final de 2014 junto ao Programa de Pós-graduação em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais.

Além de Marina e do professor Robert, o projeto conta com a participação da professora Renata Sousa Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); da professora Nadia Pieretti, da universidade italiana de Urbino; de três bolsistas, sendo um de pós-doutorado, um apoio técnico e um de graduação e colaboração de professores da UFMG e do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC Minas.

Mais informações: (31) 3319-4058.

09/05/2013


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