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Especialistas debatem os impactos da mineração

A importância das universidades em ações de assessoria e mediação de conflitos decorrentes dos impactos da mineração reuniu três representantes do meio acadêmico para uma mesa-redonda no início da noite de sexta-feira, dia 8. O encontro, denominado Mineração, Danos Socioambientais e a atuação das Universidades, foi organizado e transmitido pelo Curso de Ciências Sociais, em seu canal no YouTube.

A abertura dos trabalhos se deu com a participação da socióloga e professora Raquel Oliveira, coordenadora do Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais (Gesta), do Departamento de Antropologia e Arqueologia da UFMG. Ela fez um breve histórico do Gesta, cujas atividades de assessoria aos atingidos por grandes projetos econômicos acontecem desde o início dos anos 2000, e apresentou o trabalho que vem sendo desenvolvido junto às comunidades impactadas pelo rompimento da barragem da Samarco, ocorrido em 5 de novembro de 2015.

“A sociologia dos desastres tende a ver o desastre como forma ativa e sistemática de produção da vulnerabilidade. O que significa que a gente pode ter uma falha técnica, um evento geofísico de caráter extremo, e ainda assim não ocorrer a produção do desastre. O que leva à produção do desastre é um conjunto de fatores que são de ordem sociopolítica, e que levam ao processo de vulnerabilização social”, destacou a professora Raquel.

A participação da PUC Minas, como entidade coordenadora das Assessorias Técnicas Independentes (ATIs), que auxiliam as pessoas atingidas pelo rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), foi apresentada pelo antropólogo e coordenador técnico do Projeto Paraopeba, professor Ricardo Ferreira Ribeiro. O projeto, existente desde abril de 2020, é de responsabilidade da Coordenação e Acompanhamento Metodológico e Finalístico (Camf), que foi estabelecida pelas instituições de justiça (Ministério Público do Estado de Minas Gerais, Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais, Ministério Público Federal e Defensoria Pública Federal).

Ao detalhar o conceito de atingido, o professor destacou os prejuízos humanos e materiais, e também a privação de uma qualidade de vida que as comunidades tinham e que já não existe mais. “Tudo isso passa pela perda da vida, mas também a perda da qualidade de vida, porque uma coisa é você perder a sua vida, outra é você ser deslocado para outras cidades, há uma diminuição da expectativa de vida, há uma série de danos referentes à lesão corporal, o agravamento de doenças pré-existentes e o adoecimento físico e psíquico. Trata-se do sentimento, da dor, e do sofrimento dessas pessoas que têm o seu cotidiano e a sua vida interrompida por esses crimes”, lembrou o professor Ricardo.

Em seguida, o membro do Núcleo de Estudos Sociopolíticos (Nesp) e do Grupo de Reflexão e Trabalho da Economia de Francisco e Clara da PUC Minas, Eduardo Brasileiro, fez uma exposição da visão da Igreja Católica sobre a exploração predatória da mineração ocorrida vários países do mundo. A discussão parte de um apelo do Papa Francisco para que a humanidade repense sua relação com o meio ambiente e os mais pobres, a fim de garantir a preservação da vida por meio de uma economia solidária.

“É preciso discutir uma economia que faz viver e não mata, como diz o Papa. Discutir uma ecologia integral é retomar o elo entre sociedade e as questões ambientais, não compreendendo o ambiente e o ser humano, mas na verdade uma relação toda ecocêntrica, biocêntrica. E a solidariedade como mote de reconstrução da política como forma de partilha, de encontro, de cooperação”, disse Eduardo.

O encerramento da mesa-redonda se deu com um debate das questões apresentadas pelos internautas que acompanharam as discussões pelo YouTube.

14/10/2021

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