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Pós-graduação em Comunicação Social

Pós-graduação em Comunicação Social :: Grupo de pesquisa

Grupo de pesquisa

Poéticas Audiovisuais Contemporâneas: Dispositivo e Temporalidade

Projeto(s) de pesquisa ligado(s) ao grupo:

Coordenador(es):

Objetivo geral

O grupo privilegia o estudo das poéticas em regime audiovisual em várias de suas manifestações. Atualmente, o grupo se propõe a investigação das potencialidades comunicacionais e estéticas das mediações, redes e dispositivos audiovisuais. Pensando o conceito de dispositivo para além das especificidades de suportes e discursos -- sem, entretanto, desconsiderá-los -- o trabalho busca uma abordagem transversal, de natureza semiótica, atenta às contaminações e hibridações próprias à atual produção de imagens.

São três as principais perspectivas do trabalho de investigação entre as quais se dividem os pesquisadores.

Linhas de Pesquisa

  1. a) A tradutibilidade do sensível: Esse ângulo de trabalho se centra na inclusão de deficientes visuais e auditivos no universo audiovisual e visa propor referenciais teóricos e modelos de aplicação capazes de reverter as práticas de audiodescrição e de tradução em linguagem de sinais, atualmente centradas nas percepções sensíveis de videntes e ouvintes, de modo a privilegiar os sujeitos receptores e suas interpretações de mundo, a partir de uma reconfiguração do conceito de deficiência e dos conceitos de subjetivação e produção de sentido. Aborda-se a noção de primeireza, a categoria da experiência da sensação não-pensada, a partir de algumas ideias sobre a imagem, os aromas, os sabores e o som. Nessa perspectiva teórica, com base em dados empíricos que vêm sendo coletados em um projeto de extensão associado à pesquisa em curso, também coordenado por mim na PUC Minas, notam-se alguns fatos interessantes sobre o modus operandi da audiodescrição tal como vem sendo feita em decorrência de legislação recente que obriga a inclusão de materiais audiodescritos na veiculação de audiovisuais. Obviamente baseadas na antiga noção de mímese essencialista e consequente dogma da fidelidade ao original, essas ações se centram nas percepções videntes, isto é, dos seus produtores, com base em pressuposições –  informadas por pré-concepções sobre o que é desejável traduzir – não focadas no receptor, mas no emissor. Negligencia-se, com isso, todo um processo de subjetivação que está presente em qualquer interação comunicativa, já que a produção atual ainda se centra no antigo paradigma informacional sistêmico e unidirecional da relação emissor-receptor: quer-se que o cego veja o que veem os videntes. Por outro lado, dados preliminares das investigações em curso já demonstram uma não-coincidência entre o que se esperava como interpretação após uma sessão de audiodescrição de curtas-metragens e o que efetivamente se obtinha. Tratava-se de uma população mista de cegos congênitos e com deficiência adquirida que produzia respostas às vezes inesperadas. Esses dados funcionaram como estímulo à investigação objeto do presente projeto, apontando numa direção inversa à que pretendem as práticas tradicionais de tradução para deficientes.

Atualmente, a pesquisa envolve duas investigações em nível de pós-doutoramento, sob a supervisão do Prof. Julio Pinto: i) Flávia Affonso Mayer (PUC Minas) cujo trabalho pressupõe como dados os alicerces já tradicionais da Audiodescrição,  Essa investigação conta com recursos da própria PUC Minas, na forma de financiamento do FIP (Fundo de Incentivo à Pesquisa), com a participação de bolsista de Iniciação Científica e alunos do PPGCom-PUC Minas, além de ex-alunos e profissionais de Psicologia e Letras. A partir de uma leitura do pragmaticismo de Charles S. Peirce e de suas aproximações com a fenomenologia de Husserl e Merleau-Ponty (principalmente os conceitos de Bedeutung e do corpo-sujeito), além de alguns achados em neurociência, percebe-se a importância do sensível na produção de sentido e nos processos de subjetivação; ii) Irene Machado (ECA/USP) cuja proposta envolve estudos de um procedimento que, no campo da tradução intersemiótica, se denomina transdução. Como conceituação inicial, entende-se a transdução como a transmutação de códigos de linguagens culturais e sua reconstrução em outra esfera de atuação e significação. Partimos da hipótese de que, no âmbito da cultura audiovisual a transdução opera diretamente na transmutação de imagens sonoras, tais como ruídos e silêncios, em processos visuais e cinéticos, em que os códigos sonoros são transcodificados em códigos de luz. Será tal transmutação o objeto de estudo dessa investigação que formula, como indagação e, consequentemente, como problema de pesquisa, quais as instâncias perceptuais e cognitivas que conferem à transdução a capacidade de se tornar instância de legibilidade e de experimentação de ideias em imagens audiovisuais e cinéticas. Ou, dito de outro modo, que elementos da reverberação sonora no espaço sonoro-acústico se transformam em planos de luz no espaço visual? Para o exame de tal premissa, toma-se como hipótese complementar a noção que entende os espaços de ressonância acústica como processos de semiose e, portanto, como tradução intersemiótica. Tal raciocínio nos leva à hipótese contra-argumentativa que entende uma mudança no regime de audiovisualidade: em vez de filiar base do processo audiovisual na soma de dois campos sensórias – a visualidade e o som – o que se observa é a emergência de um campo intermediário de transformação elétrica. Os fundamentos teóricos de tais formulações foram elaborados segundo dois eixos conceituais: de um lado encontram-se os estudos semióticos desenvolvidos no âmbito da semiótica de Charles S. Peirce e de Iúri Lótman, bem como de seus discípulos como Thomas Sebeok e Peeter Torop; de outro, a crescente literatura a respeito do espaço sonoro-acústico como de Jonathan Sterne, como também os trabalhos que reivindicam a “persistência do cinema” nas transformações audiovisuais como D.N. Rodowick. O objetivo geral da proposta pode ser sintetizado na expectativa de compreender e sistematizar teoricamente o conjunto de práticas operacionais na análise de corpus de produções cinematográficas que tornaram o espaço sonoro-acústico lugar de experimentação por excelência da linguagem audiovisual em suas cinematografias. Como resultado, espera-se produzir um trabalho sob forma de ensaio argumentativo além de materiais didáticos para as disciplinas de pós-graduação em desenvolvimento no campo da tradução intersemiótica, bem como direcionamento para orientação de trabalhos, seja na formação de pesquisadores, seja na qualificação para a atuação intelectual no interior dos grupos de pesquisa. Este viés da pesquisa em poéticas audiovisuais pretende consolidar aspectos teóricos que possam vir a dar suporte pertinente a pesquisas empíricas no âmbito geral dos processos tradutórios.

 

  1. b) Objetos técnicos, ficção científica e transformação social: investigação dos processos subjetivos implicados com as mudanças tecnológicas: Investigação  financiada pela FAPEMIG que conta com a participação de Bruno Vasconcelos Almeida, professor colaborador do PPGCOM da PUC Minas e efetivo do Instituto de Psicologia da PUC Minas. Busca problematizar os modos de afetação entre o homem e a tecnologia. A estratégia de construção da pesquisa subdivide-se em três linhas de investigação. A primeira linha de investigação diz respeito à gênese e concretização de três objetos técnicos de grande relevância na cultura atual, dado o número e a distribuição dos aparelhos no cenário social, a saber: o celular, aparelho multifuncional oriundo da telefonia, e que é ao mesmo tempo telefone, máquina fotográfica, televisão, cinema, receptor de informações jornalísticas, difusor de e-mails, localizador por GPS, tocador de música e outras funções; o iphone/smartphone, aparelho celular que agrega novas funções à comunicação móbile e transformou a tela do celular em uma superfície sensível ao toque, com funções de câmara digital, internet, mensagens de texto, visual voicemail, videochamadas (facetime) e conexão wi-fi; e, por último, o ipad ou tablets que se situam entre o smartphone e o computador portátil. Hoje essses dispositivos estão inseridos na vida cotidiana e provocam o redesenho de processos subjetivos ligados à existência e comunicação humanas.  A segunda linha de investigação busca problematizar as relações entre homens e máquinas, e para tal, fará uso da literatura de ficção científica. Atualmente a fronteira entre a máquina e o homem é bastante tênue, a temporalidade despregou-se da cronologia, um cotidiano robotizado materializa a literatura de autores de ficção científica e dá novos contornos aos processos de subjetivação desencadeados na relação com a máquina e a multiplicação incessante de objetos técnicos desenhados para a autonomização. O projeto contempla o estudo de contos e romances de ficção científica que tem as questões acima como eixo de sua literatura. Nesta fase da investigação serão realizadas entrevistas com leitores de ficção científica. No limite a discussão caminha para a questão do pós-humano. A terceira investigação recai sobre os modos e usos das relações mediadas por computadores. Aparelho doméstico, o computador é uma máquina capaz de inúmeros tratamentos de informação e processamento de dados. Na Era da Informação, o computador é relevante para os sistemas de rede, sistemas industriais, aparelhos da vida cotidiana, robôs e outros. Esta parte da pesquisa incide sobre os relacionamentos pessoais agenciados através de um computador bem como os serviços psicológicos realizados por este meio. Esta etapa contempla a realização de grupos focais com os dois grupos referidos. O material produzido será trabalhado através de metodologia capaz de integrar as três diferentes linhas da pesquisa. Do ponto de vista temático, conceitual e metodológico, questões comuns permeiam as três linhas. A relevância deste projeto está de acordo com o modus vivendi atual imerso em objetos técnicos e tecnologia. Os resultados esperados consistem na publicação de artigos na área do projeto, na realização de dois seminários sobre questões tecnológicas atuais, e ainda apresentações em congressos. Todos esses produtos ligados à temática dos processos subjetivos implicados com as mudanças tecnológicas. O projeto tem prosseguimento com a busca de metodologias de análise de tecnologias  e objetos tecnológicos, com a proposta de examinar o ambiente e as relações nele produzidas, a cultura e os modos de materialização, os suportes materiais, a relação entre corpo e tecnologia, além dos aspectos sociopolíticos e das implicações no âmbito do pós-humano.

 

c)Temporalidade em ambientes digitais: presentificação da experiência: Esta linha envolve um projeto de investigação de relações temporais em ambientes digitais, principalmente em termos de cibercultura, e suas possíveis correlações com poéticas imagéticas e com questões composicionais nas artes visuais. O projeto envolve uma proposta de análise lógica dessas relações temporais, isto é, busca saber em que medida a noção do tempo como construto semiósico convencional, ligado a uma narrativa sequencial linearizante, se desarticula no ambiente digital, i.e., perde sua referencialidade (tanto catafórica quanto anafórica) ou, em termos especificamente semióticos, perde sua representatividade no interpretante e sua referencialidade ao objeto. A observação empírica constata a fragmentação e a aparente perda de narratividade da notícia, ou melhor, das inserções noticiosas que se fazem a cada minuto nos jornais on line.  Há uma aparente superficialidade que evidencia a decadência do pleno e do atual num mundo de transparência e virtualidade. A dependência da presentidade faz dessa imagem impotente, que precisa seduzir o olhar para se encher de sentido, algo da ordem do especular, no sentido que a imagem do espelho necessita tanto do ser quanto do estar presente.  Mesmo tendo em mente que, no caso dos espelhos, a presentidade da imagem necessita da presentidade do objeto que é causa e referência dela, enquanto que, no caso da imagem técnica, a presentidade do objeto não se afigura necessária, ainda assim temos uma conexão em termos temporais: se a imagem digital é objeto, ela é signo de si mesma, e, portanto, objeto de si mesma como signo. Tudo no presente, na medida em que ela é clichê e esse tipo de signo pertence a uma sincronia por ser atemporal.  Daí, talvez sua percepção como puramente presente. A discussão da imagem no ambiente digital teria, portanto,  o condão de explicitar a presentidade que parece destruir aquilo de narrativa que estaria por baixo (ou por dentro) da imagem no contexto extradigital.  Os objetos empíricos, no caso desta investigação, são constituídos pelas chamadas redes sociais, que evidenciam tal fenômeno em abundância.

Página do grupo no CNPq: http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/3645759368357056

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